Apartamentos na Av. Atlântica e mansão na serra: PF vê indícios de incompatibilidade entre patrimônio e renda de Bacellar
28/02/2026
(Foto: Reprodução) Rodrigo Bacellar é indiciado por ligação com o Comando Vermelho
No relatório final enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal afirma que há “elementos de convicção” que indicariam incompatibilidade entre o patrimônio do deputado estadual Rodrigo Bacellar e seus vencimentos como parlamentar e empresário.
"No bojo do presente relatório foram trazidos diversos elementos de convicção que denotam a incompatibilidade do patrimônio de Rodrigo Bacellar com seus vencimentos lícitos como parlamentar estadual e empresário", diz o documento.
Bacellar recebe pouco mais de R$ 25 mil mensais da Alerj. Segundo a PF, dois apartamentos na Avenida Atlântica, em Copacabana, e uma mansão em Teresópolis, na Região Serrana do RJ, foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Apartamento de Rodrigo Bacellar na Avenida Atlântica, em Copacabana
Reprodução
O documento também cita indícios de sociedade oculta no frigorífico JGPS Comércio de Carnes Ltda., com potencial de faturamento estimado em R$ 1 milhão por mês, estrutura que, segundo os investigadores, poderia funcionar como vetor de lavagem de dinheiro.
A PF investiga ainda se os R$ 91,5 mil encontrados com Bacellar quando foi preso, em dezembro do ano passado, são fruto de crime.
Em uma mensagem na véspera, o irmão, Nelsinho Bacellar, avisou: "Esqueci de te falar. Peguei o rancho".
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Confira abaixo a localização dos imóveis e o que diz a PF sobre suas características.
Copacabana / Leme
2 apartamentos na orla
Segundo a PF, o imóvel na Avenida Atlântica é de alto padrão, tem porta blindada e ocupa um andar inteiro. São cerca de 650 m² e vista para a Praia do Leme (veja acima).
Os investigadores também descrevem outro apartamento de alto luxo, com endereços na Rua Aires Saldanha e na Avenida Atlântica, que aparentemente ocupa um andar inteiro.
O local seria “suntuosamente adornado”, limpo e mobiliado, com armários vazios e geladeira com bebidas alcoólicas, além de um espaço reservado para garçom e “sem sinais de uso permanente”.
De acordo com testemunhas, Bacellar frequentaria esse imóvel cerca de duas vezes por semana, permanecendo pouco tempo e sempre sozinho, enquanto o motorista aguardaria do lado de fora.
Imóvel em Copacabana, com duas entradas: pela Rua Aires Saldanha e pela Avenida Atlântica
Reprodução
Teresópolis
1 mansão na Estrada Francisco Smolka
No terreno há outras construções além da casa principal, como casa de hóspedes, casa de caseiro, academia, área gourmet ao lado da piscina, capela e quadra poliesportiva. O imóvel principal tem três andares e elevador, e é classificado como de alto padrão.
O local possui ainda uma adega de vinhos, com dezenas de garrafas e o rosto do deputado — itens que agora fazem parte do conjunto de apreensões analisadas pelos peritos.
Em agosto de 2023, Bacellar afirmou que comprou a mansão em Teresópolis por meio de um processo judicial e que o imóvel estava prestes a ser leiloado por dívidas. O parlamentar também negou qualquer participação no frigorífico.
Imóvel na Estrada Francisco Smolka, em Teresópolis
Reprodução
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Bacellar, TH Joias e mais 3 indiciados
Rodrigo Bacellar, TH Joias e mais 3 são indiciados pela PF por ligação com o Comando Vermelho
Nesta sexta-feira (27), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras três pessoas foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho (CV).
Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. O g1 tenta contato com a defesa dos acusados.
O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, que chegou a ser preso no curso das investigações, não foi indiciado. Segundo a Polícia Federal, a medida se deve às regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados.
Rodrigo Bacellar
Thiago Lontra/Alerj
Bacellar, que está licenciado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso no dia 3 de dezembro pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, em que o então deputado estadual TH Joias foi preso.
No dia 9 de dezembro Bacellar deixou a prisão, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a substituição da detenção por medidas cautelares.
TH Joias foi preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Ele assumiu o mandato em junho, mas deixou de ser deputado após sua prisão.
O que dizem os citados
A defesa do ex-deputado TH Joias negou a participação dele em qualquer possibilidade de vazamento ou informações a qualquer organização criminosa do Estado do Rio de Janeiro.
"Sua relação com o deputado Rodrigo Bacellar era uma relação urbana, uma relação de parlamento entre colegas de parlamento. Assim como TH Joias jamais conheceu e sequer teve qualquer contato com o desembargador Macário ou qualquer outro personagem deste inquérito policial e desta confusão em que meu cliente se encontra.", disse o advogado Rafael Faria.
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