Após condenação de ex-PM, cinco réus, incluindo Rogério Andrade, ainda respondem pelo homicídio de Fernando Iggnácio
11/04/2026
(Foto: Reprodução) Acusado de envolvimento na morte de Fernando Iggnácio é condenado por homicídio triplamente qualificado
Após a condenação de Rodrigo Silva das Neves por envolvimento com o homicídio de Fernando Iggnácio, nesta sexta-feira (10), outros três processos seguem em curso na Justiça do Rio contra cinco réus pelo crime:
Pedro Emanuel D’Onofre Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Cordeiro
Márcio Araújo de Souza
Rogério Andrade e Gilmar Eneas Lisboa
Pedro e Otto são irmãos e seriam julgados junto com Rodrigo. Porém, por um entendimento que a defesa dos dois réus pelo crime poderia causar problemas no processo, os irmãos destituíram o advogado Flavio Fernandes.
Rodrigo Silva das Neves, ex-PM preso desde 2021 acusado de envolvimento no assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio em 2020, foi condenado por homicídio triplamente qualificado
Henrique Coelho/g1
Foi solicitada uma nova defesa para Pedro e Otto, e o júri deles ainda será remarcado.
Rogério Andrade, acusado de ser o mandante do crime, por conta do histórico de disputa pelos negócios da família de Castor de Andrade no jogo do Bicho, responde em um processo separado.
Com ele, no mesmo processo, está Gilmar Eneas Lisboa, acusado de monitorar os passos de Fernando Iggnácio em Angra dos Reis, de onde ele saiu de helicóptero em 10 de novembro de 2020 para ser assassinado no heliponto no Recreio dos Bandeirantes.
O mesmo acontece com Márcio Araújo de Souza, acusado de ser o contratante dos executores e do homem que fez a vigilância das atividades da vítima em Angra dos Reis.
Ele estava no mesmo processo em que Rodrigo foi condenado, juntamente com Pedro, Otto e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa. Apontado como matador de aluguel, Ygor foi encontrado morto em novembro de 2022 no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio.
Pela demora de sua defesa em se manifestar, o processo de Márcio Araújo foi desmembrado. Ainda não há data para o júri acontecer.
No fim do julgamento de Rodrigo Silva Neves, o Grupo de Atuação especializada e combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Grupo de Atuação Especializada no Tribunal do Júri (Gaejuri) do Ministério Público lembraram dos outros processos relativos à morte de Fernando Iggnácio:
“O resultado foi excelente hoje, o conselho de sentença, de forma democrática, deu um importante passo no combate à máfia da contravenção, do jogo do bicho e caça níqueis, mas a gente ainda tem um longo caminho pela frente com outros processos desmembrados em que outros coautores serão julgados, inclusive o mandante desse crime capital”, afirmou Andréa Fava, promotora que atuou durante o júri popular.
Entenda as acusações contra cada um dos réus pelo crime:
Rogério Andrade
Rogério Andrade
JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
Segundo a denúncia do Ministério Público, Rogério Andrade teria dado a ordem para o crime a Márcio Araújo de Souza, seu chefe de segurança e pessoa de extrema confiança.
Rogério foi preso em outubro de 2024 , após o Ministério Público obter mais provas de seu envolvimento no crime e ordens diretas em um aplicativo de mensagens criptografadas para matar Fernando Iggnácio, a quem chamava de “Cabeludo”.
O bicheiro preso foi transferido em novembro para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Mesmo após pedidos de sua defesa, o STF negou a liberdade de Andrade, que segue preso e responde a um processo separado, onde chegou a acompanhar por videoconferência uma das audiências.
O processo, que foi iniciado em 2024, está no final da primeira fase, de instrução e julgamento.
Márcio Araújo de Souza
Captura de tela mostra conversa de Rogério Andrade com o policial militar Márcio Araújo usando codinomes
Reprodução
Márcio, acusado de ser o chefe de segurança de Rogério Andrade, teria sido o responsável por contratar e coordenar os executores diretos do crime.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, Márcio se comunicava com Rogério no aplicativo de mensagens Wickr, que utiliza mensagens criptografadas, e passava instruções sobre a vigilância da vítima e da execução.
Ele se entregou à polícia em fevereiro de 2021. Depois, deixou a cadeia por decisão do Supremo Tribunal Federal e foi reconduzido à Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Márcio seria julgado junto com Pedro, Otto e Rodrigo. No entanto, o caso dele foi desmembrado, e ele está recorrendo da decisão que o pegou a júri popular:
“A defesa do Márcio Araújo requeriu uma perícia e aí por conta da demora no oferecimento das alegações finais pela defesa do Márcio Araújo, eles conseguiram, em grau de recurso, a realização dessa perícia e, portanto, atrasou o processo dele”, explicou a promotora Andrea Fava, do Grupo de Ação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
“Então, para que o processo dos executores não demorasse mais a acabar teve esse desmembramento”, afirmou:
Em 2023, ele foi alvo de um suposto atentado, mas sobreviveu. O crime nunca foi solucionado.
Ele responde em liberdade e foi obrigado a utilizar uma tornozeleira eletrônica, e também foi proibido de deixar o país.
Gilmar Eneas Lisboa
Gilmar Eneas Lisboa, ex-PM, também foi preso por monitorar os passos da vítima. Os trabalhos de vigilância começaram pelo menos 8 meses antes do crime, segundo o Ministério Público.
O ex-policial enviou vídeos da casa de veraneio de Iggnácio na Ponta da Raposinha, em Ilha Grande, na Costa Verde do Estado.
Nos contatos de Márcio Araújo, Lisboa era identificado pelo codinome "Tribidi". Ele deu detalhes de como era a residência e o terreno onde ficava a casa da família de Fernando Iggnácio.
O codinome da vítima, Fernando Iggnácio, é o mesmo utilizado por Rogério Andrade, em mensagens criptografadas para Márcio Araújo: "Cabeludo".
"O cais de ferro na cor verde fica nos fundos da casa do cabeludo", escreveu, segundo as investigações.
Gilmar responde no mesmo processo em que Rogério Andrade é acusado da morte de Fernando Iggnácio.
Pedro e Otto
Ygor Farofa (E), o ex-PM Pedro Cordeiro (C), ao lado do PM Rodrigo das Neves (de boné): todos já identificados pela DH como suspeitos da morte de Fernando Iggnácio; no alto, um quarto suspeito
Reprodução
As investigações apontaram que Pedro, que é ex-policial militar, foi responsável por realizar pesquisas sobre a rotina de Iggnácio e sobre as armas usadas no crime.
Ele também realizou levantamentos sobre diversos outros contraventores executados a fim de elaborar um estudo de caso para que a ação criminosa contra Fernando Iggnácio não tivesse falha.
Após o crime, Pedrinho fugiu do Brasil e foi capturado ao dar início a procedimentos para emissão de documentos no Paraguai. Os agentes constataram que ele usava um documento falso brasileiro e suspeitaram do criminoso, preso em janeiro de 2025.
Já Otto, irmão de Pedro, era ex-soldado da Polícia Militar de São Paulo (SP). Ele foi expulso da corporação em 2021 após investigações o apontarem como suspeito de participar do assassinato do contraventor. Em 2023, Otto foi preso no Paraná.
Segundo as investigações, Otto foi um dos executores do bicheiro Fernando Iggnácio, além de ter se escondido com outros três réus no terreno baldio próximo ao local em que a vítima desembarcou do helicóptero, pouco antes do crime.
As investigações encontraram no seu celular uma foto da vítima morta no chão, com o rosto desfigurado, registrada logo após a execução.
Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro era policial militar da ativa em São Paulo
Reprodução
Defesas procuradas
O g1 procurou as defesas de Rogério Andrade, Gilmar Eneas Lisboa e Márcio Araújo de Souza. A defesa de Rogério Andrade não se pronunciou.
Com a destituição de Flávio Fernandes nas defesas de Pedro e Otto, ainda não foram designados novos defensores para ambos.
A defesa de Gilmar Eneas Lisboa não quis se manifestar.
O g1 e a TV Globo não conseguiram contato com a defesa de Márcio Araújo.
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