Após vereador dizer que R$ 100 mil na conta foram prêmio da ONU, Polícia Civil afirma que valores suspeitos são de outros créditos
17/03/2026
(Foto: Reprodução) Vereador Salvino Oliveira na porta do presídio de Benfica, ao ser solto nesta sexta-feira
Reprodução/TV Globo
O vereador Salvino Oliveira (PSD) afirmou em um vídeo publicado em suas redes sociais que os R$ 100 mil apontados como movimentação atípica em investigação são referentes a um pagamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A declaração foi feita após a repercussão da operação que levou à prisão do parlamentar, segundo a Civil, suspeito de ligação com o Comando Vermelho. A Polícia Civil rebateu a justificativa, afirmando que há outras movimentações suspeitas (leia mais abaixo).
O vereador teve a prisão temporária revertida após 2 dias. Em publicação nas redes sociais, Salvino disse que o valor citado na investigação corresponde a uma premiação internacional recebida após ter sido escolhido como jovem ativista global.
Segundo ele, o reconhecimento veio pelo trabalho com jovens de favelas e periferias por meio da tecnologia. O vereador também afirmou que sua vida “virou de cabeça para baixo” com a operação, negou qualquer vínculo com o CV e declarou que nada de irregular foi encontrado em sua casa durante a ação policial.
O reconhecimento mencionado pelo parlamentar está ligado ao evento Young Activists Summit, que lista Salvino entre ativistas homenageados em 2025, na área de educação e inclusão. Na página oficial do encontro, ele aparece associado a projetos voltados ao acesso de jovens de favela à tecnologia e à educação. O evento também consta em registros da ONU como realizado no Palais des Nations.
O que a Civil respondeu
Em resposta, a Polícia Civil do estado informou que o valor citado pelo vereador não tem relação com as movimentações consideradas suspeitas. Em nota, o Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) afirmou que os R$ 100 mil comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) fazem parte de transações realizadas ao longo do segundo semestre de 2024 e que chamaram a atenção dos órgãos de fiscalização.
Segundo a corporação, entre os pontos analisados estão depósitos em espécie na conta do vereador e transferências feitas por uma empresa de informática localizada no Complexo da Maré, área sob influência do Comando Vermelho. Para a Polícia Civil, esses elementos reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações.
A instituição também destacou que valores recebidos como premiação não são considerados, por si só, suspeitos, e que a classificação de movimentações atípicas segue critérios técnicos adotados por órgãos de controle no Brasil e no exterior. A análise é feita com base em parâmetros objetivos para identificar possíveis práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil informou ainda que o inquérito segue em andamento e que todas as diligências necessárias estão sendo realizadas. “A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a imparcialidade”, diz a nota.
Polícia Civil do RJ diz que identificou R$ 100 mil em 'créditos suspeitos' para o vereador Salvino
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