Assassinatos, caça-níqueis, jogo do bicho, cigarro ilegal e trabalho escravo: os crimes atribuídos a Adilsinho, segundo a polícia
27/02/2026
(Foto: Reprodução) Bicheiro Adilsinho é preso pela PF e Polícia Civil
Preso em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho, o Adilsinho, é apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Ao longo dos anos, passou a ser associado não apenas à exploração da contravenção, mas também a uma série de crimes que, segundo investigadores, ampliaram o poder econômico e territorial do grupo.
De acordo com as investigações, o esquema comandado por Adilsinho envolvia diferentes frentes ilícitas — da exploração tradicional de pontos de bicho e máquinas caça-níqueis ao comércio ilegal de cigarros, com suspeita de uso de trabalho escravo, além de suspeitas de homicídios ligados a disputas por território.
Jogo do bicho e caça-níqueis
Apontado como herdeiro de uma das mais antigas famílias da contravenção, Adilsinho é investigado por comandar pontos de jogo do bicho em bairros da Zona Norte e da Baixada Fluminense.
A polícia afirma que o grupo também operava máquinas caça-níqueis espalhadas por bares e estabelecimentos comerciais.
O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF
Reprodução/TV Globo
Segundo os investigadores, o esquema movimentava milhões de reais por mês. Parte desse dinheiro, de acordo com o Ministério Público, seria usada para manter a estrutura da organização e para corromper agentes públicos.
Assassinatos e disputas por território
A Polícia Civil afirma que o grupo está sob investigação por envolvimento em assassinatos ligados à disputa pelo controle de áreas do jogo do bicho. Embora os casos específicos corram sob sigilo, os investigadores apontam que a violência teria sido usada como forma de intimidação contra rivais e até contra integrantes da própria organização.
Entre os casos investigados está a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no dia 26 de fevereiro de 2024. No dia 9 de abril daquele ano, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra Adilsinho, e outras oito pessoas investigadas no inquérito. Ele é apontado como possível mandante.
Adilsinho é alvo de buscas em operação sobre morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo
Em relatórios, a polícia sustenta que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções e uso de segurança armada para proteger pontos estratégicos.
Cigarro ilegal
Outro braço do esquema, segundo as autoridades, era a comercialização de cigarros contrabandeados. O material, geralmente vindo do Paraguai, abastecia pontos de venda na Região Metropolitana do Rio.
A polícia afirma que a venda do produto ilegal ampliava os lucros da organização e fortalecia a presença do grupo em comunidades onde o comércio formal enfrenta menos fiscalização. Segundo a Polícia Federal, a produção ilegal rende à quadrilha de Adilsinho um faturamento mensal de, no mínimo, R$ 50 milhões.
Segundo as investigações, a estrutura criminosa montada pelo bicheiro com a fabricação e venda dos cigarros, desde 2018, tem financiado não apenas a corrupção de agentes públicos, mas também investimentos em atividades ilícitas no Paraná e a construção de uma vida de luxo nos Estados Unidos — incluindo a aquisição de carros Ferrari e de um jatinho executivo avaliado em R$ 4,5 milhões.
Suspeita de trabalho análogo à escravidão
As investigações também apontam suspeitas de exploração de trabalhadores em condições degradantes em fábricas clandestinas de cigarros. Segundo os investigadores, pessoas seriam mantidas em jornadas exaustivas e sob condições precárias de higiene e segurança. O caso é apurado em conjunto com outros órgãos de fiscalização.
Fábrica clandestina de cigarros é encontrada na Baixada Fluminense
Divulgação
Em 2023, a PF estourou em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma fábrica de cigarros clandestina. No local, no bairro Figueiras, os agentes encontraram 19 pessoas em condições análogas à escravidão — todos são paraguaios.
Em julho de 2022, também em Duque de Caxias, a Polícia Civil do RJ estourou outra fábrica de cigarros em que paraguaios eram mantidos em situação análoga à escravidão.
O que diz a defesa
O advogado Ricardo Braga, que representa Adilsinho, divulgou nota afirmando que a prisão ocorreu “dentro da mais absoluta tranquilidade”.
“As imagens da prisão evidenciam que tudo transcorreu dentro da mais absoluta tranquilidade, fato que desconstrói a narrativa de periculosidade atribuída ao empresário. A defesa reafirma que ele confia na Justiça e demonstrará sua inocência quanto a todos os fatos que lhe são injustamente imputados”, diz o texto.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa do policial militar Diego D’arribada Rebello de Lima.
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