MPF denuncia ex-presidente do Rioprevidência e mais três por suspeita de obstrução à Justiça
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Ex-presidente do Rioprevidência é denunciado por sumiço de provas
O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou quatro pessoas por suspeitas de praticarem obstrução de investigação de organização criminosa. Entre os denunciados está Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, e apontado como responsável por mandar desligar câmeras do prédio onde mora e retirar do local pastas e malas.
Quando a Polícia Federal chegou ao apartamento em que Deivis reside não encontrou documentos do Rioprevidência. Os investimentos do instituto são investigados pela PF. O Rioprevidência investiu R$ 970 milhões no Banco Master.
Deivis está preso desde o início de fevereiro, quando voltou dos EUA.
De acordo com a denúncia, houve divisão de tarefas e atuação coordenada entre os envolvidos. Também foram denunciados:
Rodrigo Schmitz - Empresário, que segundo o MPF, transportou objetos para outro apartamento no mesmo prédio a pedido de Deivis
Bruno Elias Hins - Responsável pela empresa de segurança que presta serviços no prédio onde Deivis mora.
Aroldo Morais Elliot - motorista de Deivis e responsável por levar um Porsche para Santa Catarina.
O MPF pediu a condenação dos quatro denunciados e o pagamento de uma indenização mínima de R$ 660 mil, além da perda de bens ligados ao caso.
Em dez dias, câmeras de segurança foram desligadas, imagens desapareceram e até um carro de luxo foi levado do Rio de Janeiro para Santa Catarina — tudo, segundo a denúncia, para tentar driblar a Polícia Federal.
Segundo o MPF, desde 19 de dezembro do ano passado Deivis sabia que era alvo de investigações a respeito dos investimentos de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master porque foi ouvido pela Polícia Civil. Desde então, diz a denúncia, ele tentou quatro vezes atrapalhar a investigação, sumindo com provas.
Câmeras de vigilância desligadas
De acordo com o MPF, pouco antes das 11h da manhã do dia 15 de janeiro, Deivis - que é o síndico do prédio onde mora, na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo - interfonou para o porteiro e mandou que ele desligasse as câmeras de vigilância do edifício. O fato foi confirmado pelo porteiro do prédio, em depoimento à PF.
De acordo com a investigação, naquele dia Deivis e Rodrigo Schmitz, que prestava serviços a Deivis, retiraram documentos do apartamento 101, que era alugado pelo então presidente do Rioprevidência, e os levaram para o carro, que estava na garagem. A perícia apontou que todas as 14 câmeras do edifício ficaram desligadas por 32 minutos naquela manhã.
Este imóvel alugado fica no primeiro andar, logo abaixo do apartamento que pertence a Deivis, o 201. A PF só descobriu que Deivis alugava outro imóvel no mesmo prédio no dia 23 de janeiro, quando cumpriu mandados de busca contra ele - dia em que foi exonerado da presidência do Rioprevidência.
Segundo o MPF, o apartamento alugado era utilizado por Rodrigo Schmitz e seu irmão gêmeo. Além de abrigar os gêmeos, o apartamento 101 era utilizado como um entreposto para onde eram levadas malas e caixas, que, depois, eram direcionadas a outros locais. As imagens do circuito de segurança do prédio parcialmente recuperadas pela perícia da PF comprovam que havia intenso tráfego de bagagens e caixas entre os apartamentos 101 e 201.
Documentos levados para outro prédio
O MPF aponta que há fortes indícios de que os documentos retirados do prédio da Rua Álvaro Ramos foram levados para um terceiro apartamento, a 200 metros de distância, na Rua da Passagem, que também era utilizado por Rodrigo Schmitz e seu irmão gêmeo.
A existência desse apartamento só foi descoberta dias depois pela PF. Os policiais cumpriram um mandado de busca neste imóvel da Rua da Passagem em 3 de fevereiro, mas só acharam malas e caixas vazias, e elásticos próprios para organizar maços de dinheiro.
O diretor-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes
Rioprevidência/Divulgação
Imagens apagadas remotamente
O terceiro ato de embaraço às investigações, diz o MPF, foi o apagamento das imagens do circuito de segurança do prédio de Deivis, no dia 25 de janeiro - ou seja, dois dias após a busca da PF no local.
Os vídeos foram deletados do sistema remotamente, a partir do dia 24 de dezembro de 2025. Segundo a PF, quem apagou as imagens foi um usuário de login identificado como "ideal". A perícia da PF constatou que o dono desse perfil era Bruno Elias Hins, sócio da empresa responsável pelo sistema de vigilância, e teria agido a mando de Deivis, que era o síndico do prédio.
O quarto ato de obstrução da investigação foi a remoção, no dia 25 de janeiro, de um Porsche que estava na garagem do prédio. De acordo com o MPF, o carro de luxo, avaliado em mais de R$ 660 mil, foi retirado do edifício por Rodrigo Schmitz e Aroldo Morais Elliot, que era motorista de Deivis Antunes.
O Porsche foi conduzido Itapema, litoral de Santa Catarina. A PF diz que, apesar de o veículo estar em nome de Rodrigo, ele pertencia e era usado por Deivis e a esposa dele. No dia seguinte à retirada do Porsche, 26 de janeiro, Rodrigo Schmitz transferiu a propriedade do veículo para terceira pessoa, apesar da apreensão pela Polícia Federal.
Outro lado
A GloboNews entrou em contato com o advogado Paulo Klein, que defende o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Antunes, mas ele não quis se manifestar.
No processo, os advogados de Deivis alegaram que a acusação de atrapalhar as investigações não se sustenta em provas concretas.
A defesa afirma que não haveria motivo para ocultar documentos ou apagar registros já que o credenciamento do Banco Master junto ao Rioprevidência está todo registrado em um processo eletrônico público e acessível.
Quanto à acusação de que Deivis teria mandado o porteiro desligar o sistema de vigilância, os advogados sustentam que no dia 15 de janeiro o ex-presidente do Rioprevidência saiu de casa bem cedo, às 6h da manhã, o que afasta a hipótese de que ele tenha interfonado pouco antes das 11h para dar a ordem ao porteiro.
Sobre a retirada de objetos do apartamento 101, que era alugado por Deivis, a defesa disse que se deu pela necessidade de entregar o imóvel ao proprietário, já que o contrato de locação estava perto do fim.
Os advogados afirmam ainda que o veículo da marca Porsche não está registrado em nome de Deivis, e que por isso, não pertence a ele.
Não tivemos retorno da defesa de Rodrigo Schmitz.
Não conseguimos contato com as defesas de Bruno Elias Hins e Aroldo Morais Elliot.
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