PMs viram réus por morte de médica em Cascadura; carro dela foi confundido com o de ladrões

  • 11/09/2026
(Foto: Reprodução)
PMs envolvidos em morte de médica estavam com câmeras corporais descarregadas Dois PMs envolvidos na morte da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, em Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em março, viraram réus. A 2ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do RJ aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra o subtenente José Jorge Ferreira Dias e o 2º sargento Raphael Gomes Damasceno, do 9º BPM (Rocha Miranda). Segundo o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ), os policiais foram denunciados por homicídio qualificado. A médica morreu em 15 de março deste ano, após ser atingida por disparos quando dirigia seu carro pela Rua Palatinado. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp A médica Andréa Marins Dias Reprodução O que diz a denúncia De acordo com o Gaesp, os agentes faziam buscas por veículos envolvidos em roubos na região e perseguiam um Corolla Cross prata. Após perderem o carro de vista, localizaram um Corolla Cross branco, conduzido por Andréa, e atiraram sem confirmar se se tratava do 1º veículo. O MPRJ afirma que os policiais agiram com dolo eventual, ao assumirem o risco de matar uma pessoa sem relação com os fatos investigados. A acusação é baseada em imagens de câmeras de vigilância e em laudos periciais. Ainda segundo a denúncia, os tiros atingiram a traseira do carro e foram feitos de surpresa, o que dificultou a defesa da vítima. A pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o afastamento dos policiais das atividades operacionais e do policiamento ostensivo, além da suspensão do porte funcional de arma. Eles deverão permanecer em funções internas e estão proibidos de manter contato com testemunhas e familiares da vítima ou de se aproximar deles a menos de 300 metros. O caso é investigado desde março. À época, a principal linha de apuração era a de que os policiais teriam confundido o carro da médica com o de criminosos. Andréa havia acabado de sair da casa dos pais quando foi baleada. Imagens registradas após a ação mostraram policiais abordando o veículo. Quando abriram a porta, encontraram a médica já sem vida. Dias depois da morte, a Polícia Militar informou que as câmeras corporais dos policiais envolvidos estavam descarregadas e não registraram a ocorrência. As armas usadas na ação foram apreendidas para perícia, e os agentes foram afastados do patrulhamento enquanto as investigações eram conduzidas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Polícia do Rio investiga morte de médica durante perseguição policial; suspeita é de que carro tenha sido confundido com o de bandidos Jornal Nacional/ Reprodução Quem era Andréa A médica Andréa Marins Dias era uma cirurgiã oncológica especializada no tratamento de endometriose. Andréa tinha quase 30 anos de experiência na área de saúde da mulher. Em seu perfil nas redes sociais, dizia ter 2 residências: uma geral, do ciclo básico de qualquer médico, e outra em cirurgia oncológica, para o tratamento de câncer. Em um vídeo gravado em 2024, ela se apresentou. “Eu tenho 27 anos cuidando de mulher. De formada, eu não sei se eu falo..... 32 anos de formada”, contou Andréa, rindo. “Eu resolvi que isso seria um desafio para ajudar as mulheres, ajudar a dor das mulheres. A endometriose é uma patologia atual. Estou aqui para ajudar e para tirar dúvidas”, comentou.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/09/11/pms-viram-reus-por-morte-de-medica.ghtml


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