Roubos de joias se multiplicam com alta do ouro, enquanto mercado sem procedência avança
10/08/2026
(Foto: Reprodução) Roubos de joias se multiplicam com alta do ouro, enquanto mercado sem procedência avança
O RJ2 tem mostrado as consequências da alta do preço do ouro. Os flagrantes de roubos de alianças e cordões se multiplicaram. Enquanto as vítimas deixam de usar joias nas ruas por medo, o mercado de ouro sem procedência continua funcionando sem ser incomodado.
A reportagem mostra como funciona esse comércio e revela que uma lei que poderia dificultar a receptação de joias roubadas nunca saiu do papel.
No mercado de joias usadas eles ganharam até apelido: Boca de Ouro. Na Uruguaiana, no Centro, disputam atenção no grito.
Na Tijuca, na Zona Norte, e em Copacabana, na Zona Sul, placas e cartazes ocupam as calçadas e, na maioria das vezes, levam a salas comerciais sem identificação. É onde a negociação acontece. Em muitos casos, a procedência parece não importar.
"Normalmente, o ouro que a gente pega, a gente já derrete. A gente avalia e paga na hora. Pra gente, o que mais vale é a palavra do homem."
Para evitar o crime de receptação de joias roubadas, em 2015 uma lei estadual estabeleceu regras, mas o texto nunca foi regulamentado pelo governo.
Previa que as lojas se registrassem na Secretaria de Estado de Segurança e que toda compra deveria ser documentada com identificação do vendedor e comprovação de procedência.
A própria Secretaria de Segurança Pública confirma que o cadastro não existe.
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Joias usadas
Reprodução/TV Globo
O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, que representa o setor formal de compra e venda de ouro, diz as empresas precisam estar cadastradas no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
E que, além de emitir nota fiscal, as lojas precisam garantir a rastreabilidade. Para isso, têm que registrar quem vendeu a joia.
"Muitas vezes, o que você vai vender já não há uma origem de nota fiscal. Foi presenteado, portanto você também assina uma declaração de que aquele objeto é de sua propriedade, que você está transferindo para a empresa mediante o pagamento via nota fiscal. Isso é muito importante, que é a emissão da nota fiscal de aquisição desse desse objeto, dessa joia usada", explica o conselheiro do instituto, Mário Rodrigues. Mas a portas fechadas, muitas vezes a história é outra:
Eu tenho que fazer algum cadastro?
Precisa fazer nada não.
Nem pra comprar nem pra vender?
Você vai me dar algum certificado também? Alguma coisa que recebeu?
A gente normalmente não dá. É raro chegar alguém e perguntar.
Eu compro e te pago na hora, não tenho que te dar garantia.
Venda de joias usadas
Reprodução/TV Globo
No estado do Rio, 464 empresas de joias e metais preciosos estão cadastrados no Coaf. O setor não tem órgão regulador ou fiscalizador próprio e por isso a tarefa cabe ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, com base na lei de lavagem de dinheiro.
O Coaf afirma que a empresa que não cumpre a obrigação de identificar quem vendeu o ouro pode pagar multa e até ser obrigada a fechar. A preocupação com a procedência é fundamental para evitar um tipo de crime que tem assustado os cariocas.
Cartaz de compra de joias
Reprodução/TV Globo
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Morte em Olaria
Marcelo Alcântara de Brito morreu em uma tentativa de roubo de cordão
Reprodução/TV Globo
Na semana passada, o RJ2 mostrou flagrantes de ataques de criminosos, que roubam cordões e alianças. Com o aumento no preço do ouro, as joias ficaram ainda mais atrativas para os bandidos.
Um morador de Olaria morreu baleado numa tentativa de roubo. Marcelo Alcântara de Brito, de 40 anos, virou alvo dos assaltantes por causa de um cordão dourado, que nem de ouro era.
Quadrilha de olheiros
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O RJ2 também revelou que a vítima nem sempre é escolhida por acaso, na rua. Investigadores descobriram uma quadrilha de olheiros, com a missão de encontrar e seguir as pessoas.
Umas das vítimas foi um empresário baleado mês passado num supermercado no Recreio, na Zona Sudoeste. Ele fazia compras quando o cordão de ouro que usava despertou a atenção dos bandidos.
As imagens mostram o grupo rondando, olhando fixamente, e se comunicando. Até o ataque, meia hora depois, no estacionamento.
Eduardo foi baleado no estacionamento de um supermercado
Reprodução/TV Globo
Olheiro se aproxima de Eduardo em supermercado
Reprodução/TV Globo
Eduardo perdeu um rim e parte do pâncreas
Reprodução/TV Globo
O que diz a Polícia Civil
Mais uma vez, o RJ2 pediu uma entrevista à Polícia Civil e perguntou se há investigações em andamento sobre receptação de ouro roubado.
A resposta chegou por meio de nota. A Polícia Civil diz que fiscaliza estabelecimentos que comercializam joias e metais preciosos, verifica a procedência quando há indícios de receptação ou de outros crimes.
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Reprodução/TV Globo
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