TJRJ adia julgamento de Oruam por tentativa de homicídio
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Justiça aceita denúncia contra Oruam por tentativa de homicídio
O julgamento do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, que aconteceria nesta segunda-feira (23) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), foi adiado para o dia 30 de março. A sessão desta segunda foi adiada por ausência de uma das vítimas do caso, o delegado Moysés Santana Gomes.
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O artista é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho de 2025, no Joá, Zona Oeste da cidade. Ele também responde por outros crimes, como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.
Atualmente, Oruam é considerado foragido da Justiça após a revogação de um habeas corpus e o restabelecimento da prisão preventiva. A audiência marcaria o início da fase de instrução do processo no Tribunal do Júri.
Oruam de tornozeleira após deixar a cadeia; Seap fala em 66 violações
Reprodução
O que diz a denúncia
Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Oruam e outros três acusados arremessaram pedras contra dois policiais civis que cumpriam um mandado de busca e apreensão contra um adolescente suspeito de envolvimento com tráfico de drogas. O jovem alvo do mandado foi localizado na casa de Oruam, no Joá.
De acordo com o MP, os acusados lançaram as pedras de uma sacada a cerca de 4,5 metros de altura, assumindo o risco de matar os agentes — tese jurídica conhecida como dolo eventual.
Oruam é flagrado atacando carro da polícia durante cumprimento de mandado contra menor
A promotoria sustenta que a conduta ultrapassou os limites de uma reação ou resistência e configurou tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e por ter sido praticado contra agentes de segurança pública em serviço.
Além das tentativas de homicídio, os denunciados também foram acusados de resistência qualificada, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público, devido aos danos causados a uma viatura da Polícia Civil.
Pedra de 4,8 kg
Um dos principais elementos da acusação é o laudo pericial que apontou que uma das pedras encontradas no local pesava 4,85 kg. Segundo a perícia, o objeto foi localizado na calçada em frente à casa do artista e apresentava marcas de impacto recente.
Pedra de 4,8 kg lançada contra policiais é encontrada perto da casa de Oruam
Reprodução
O Ministério Público argumenta que, lançada da altura indicada, a pedra teria potencial para causar lesões letais, tese reforçada por cálculos físicos apresentados na denúncia. Ao todo, sete pedras foram identificadas na área.
Um dos policiais foi atingido nas costas e no calcanhar, segundo a denúncia. O outro agente conseguiu se abrigar atrás da viatura.
Quem são os acusados
Além de Oruam, também respondem ao processo:
Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira;
Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais;
Victor Hugo Vieira dos Santos.
Os quatro são acusados de participação nas agressões contra os policiais.
Policiais tentam apreender menor na casa de Oruam
Reprodução/TV Globo
Em relação a Oruam e Willyam, a denúncia inicial tratava das tentativas de homicídio. Posteriormente, o Ministério Público apresentou aditamento incluindo os demais acusados e acrescentando outros crimes conexos.
Há ainda um outro processo que apura o crime de associação para o tráfico de drogas, mas essa acusação tramita separadamente.
Relembre o caso
O episódio ocorreu na madrugada de 22 de julho de 2025. Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a residência de Oruam, no Joá, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente conhecido como “Menor Piu”.
Segundo a investigação, após a abordagem e a condução do adolescente até a viatura, os acusados teriam iniciado os arremessos de pedras contra os agentes.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram Oruam esmurrando um carro de polícia e, segundo o MP, incitando a ação contra os agentes.
Oruam se entrega à polícia
Kleyton Cintra/TV Globo
Após o episódio, o rapper chegou a ser preso preventivamente. Posteriormente, obteve habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com substituição da prisão por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
No entanto, em fevereiro deste ano, o STJ revogou a liminar após apontar descumprimentos reiterados das condições impostas, como violações no monitoramento eletrônico. Desde então, Oruam é considerado foragido.
O que dizem as defesas dos acusados
Procurada, a defesa de Oruam informou que não vai se pronunciar neste momento.
Já a advogada Elker Cristina Jorge de Oliveira, que representa Victor Hugo Vieira dos Santos, afirmou que recebe “com serenidade o andamento regular do processo” e reiterou confiança no devido processo legal.
Segundo a defesa, “não há prova técnica individualizada que atribua a Victor Hugo a prática de qualquer conduta com potencial letal concreto, tampouco demonstração segura de dolo de matar, ainda que eventual”.
A advogada sustenta que a denúncia se baseia em “interpretações hipotéticas e reconstruções teóricas” e afirma que a responsabilidade penal exige individualização da conduta. Também destacou que Victor Hugo foi incluído posteriormente por meio de aditamento da denúncia.
A defesa afirmou ainda que atuará para demonstrar as “fragilidades existentes na acusação” e reforçou a importância da presunção de inocência.
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